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Condrossarcoma do Fêmur

Condrossarcoma do Fêmur

Condrossarcoma Do Fêmur. Paciente feminina, 33 anos com dor no joelho direito havia 6 meses. Foi atendida em Hospital Universitário, onde realizou exames de imagem que revelam lesão de rarefação óssea e focos de calcificação. Foi submetida à biópsia cujo diagnostico histopatológico foi de condroma. 
    A paciente foi operada por uma pequena incisão lateral. Realizaram curetagem intralesional e preencheram a cavidade com cimento. Documentaram o procedimento com o argumento de poderem atingir toda a cavidade por esta incisão e realizaram radiografia pós-operatória (Figuras 1 – 4).  

Figura 1: Radiografia do procedimento intralesional por pequena incisão!!!??? A cureta e a pinça apontam a profundidade, querendo o cirurgião inferir que por este acesso consegue atingir toda a lesão. Sabemos que isto não é correto, apenas espalha a lesão.
Figura 2: Foto da cicatriz operatória, em 13/jun./1998. Esta incisão pequena é contraindicada no tratamento oncológico desta lesão.
Figura 3: Radiografia do pós-operatório de curetagem intralesional indevida. Nesta radiografia já se pode observar áreas de rarefação ao redor de todo o cimento, indicando a presença de tumor.
Figura 4: Radiografia, em perfil, com rarefação anterior, indicando a presença de tumor. Devemos assinalar que isto não se trata de recidiva e sim neoplasia que continuou na cavidade.

A realização de curetagem intralesional pode ser empregada em alguns casos de lesões benignas agressivas, como o TGC (tumor gigante celular). Entretanto não se pode utilizar incisão pequena em nenhuma situação. Quando for indicada a técnica de curetagem, devemos ter uma visão ampla de toda a cavidade e realizar a adjuvância local, quando necessária. 
    Neste caso específico, a curetagem não está indicada para o tratamento desta lesão, muito menos com incisão pequena. A biópsia sugeriu o diagnóstico de condroma, mas trata-se de um condrossarcoma grau II, que foi o diagnóstico definitivo do material curetado. 
    Com o diagnóstico de neoplasia maligna e o quadro de “recidiva” foi indicada a amputação do membro. a paciente não aceita o tratamento e nos procura para uma segunda opinião.

     Podemos observar a presença de tumor remanescente já nas radiografias do pós-operatório imediato. As imagens da ressonância detalham esta situação (Figuras 5 – 10).

Figura 5: Ressonância magnética, em corte coronal T1, mostrando a permanência de tumor, sinal intermediário ao redor do cimento (baixo sinal). Nota-se ainda extravasamento da lesão pela abertura cirúrgica da cortical lateral e em tecidos moles.
Figura 6: Ressonância magnética, corte sagital T1, ressaltando extravasamento da lesão na face anterior do fêmur, sob a patela.
Figura 7: Rm, sagital com contraste, demarcando a permanência de tumor e o extravasamento da lesão, em 22/fev./1999.
Figura 8: Rm, coronal T1. O condrossarcoma atinge a epífise femoral.
Figura 9: Rm, ax T1, detalhando a permanência e progressão do tumor, com tumor extra cortical. Figura 10: Rm, axial T1, com lesão nos tecidos moles da face lateral da coxa.

Analisamos que, apesar da manipulação inadequada, estávamos diante de uma neoplasia de lenta evolução e que poderíamos tentar a ressecção ampla da região afetada e reconstruir com uma endoprótese não convencional.
Se o estudo da peça não revelasse desdiferenciação, poderíamos realizar controles pós-operatórios clínicos e de imagens a cada três meses inicialmente, e somente vir a realizar a alternativa da amputação se houvesse recorrência após esta ressecção ampla.
Realizamos a ressecção do terço distal do fêmur que estava comprometido, por uma incisão ampla, observada nas Figuras 11 e 12 e documentadas nas radiografias da prótese, Figuras 13 e 14.

Figura 11: Paciente com um ano e oito meses após a ressecção ampla e reconstrução com endoprótese não convencional. Incisão ampla lateral da coxa.
Figura 12: Carga monopodal após um ano e oito meses, em 17/Out/2000.
Figura 13: Radiografia de controle, frente, após vinte meses.
Figura 14: Radiografia de controle, perfil. (17/Out/2000).
Podemos observar a função da paciente após três anos, Figuras 15 e 16 e avaliação após doze anos, Figuras 17-20.
Figura 15: Paciente com boa função de flexão do joelho operado,17/Jul/2001.
Figura 16: Carga monopodal após dois anos e meio. Nenhum sinal de recidiva do tumor, 17/Jul/2001.
Figura 17: Paciente após 12 anos e meio da cirurgia de ressecção ampla, sem sinais de recorrência da lesão, 14/Jul/2011.
Figura 18: Carga monopodal, boa força muscular.
Figura 19: Cintilografia óssea sem sinais de recidiva.
Figura 20: Paciente com boa função, após 12 anos da cirurgia de ressecção do 1/3 distal do fêmur e reconstrução com endoprótese não convencional de polietileno, sem recidiva, 02/03.2010.

Autor : Prof. Dr. Pedro Péricles Ribeiro Baptista

 Oncocirurgia Ortopédica do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho

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