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Condrossarcoma do Ramo Ilíaco

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Condrossarcoma Ramo Ilíaco

O condrossarcoma é um tumor maligno originário do tecido cartilaginoso, caracterizado por sua capacidade de produzir matriz cartilaginosa. Neste estudo de caso, analisamos um paciente masculino de 38 anos, engenheiro, que apresentou dores no quadril direito durante dois meses. A investigação diagnóstica revelou uma lesão no ramo ílio-púbico, confirmada por diversos exames de imagem.

Diagnóstico Inicial

A radiografia inicial do quadril direito mostrou uma lesão de rarefação óssea com focos de condensação. A cintilografia óssea revelou hiper captação restrita ao ramo íleo-púbico direito, sugerindo atividade tumoral localizada. Esses achados indicaram a necessidade de exames adicionais para uma avaliação detalhada da lesão.

Avaliação por Tomografia

A tomografia computadorizada revelou uma lesão lítica, envolvendo parte da cavidade acetabular e apresentando pontos de condensação, sugerindo focos de calcificação. Esta característica é típica de condrossarcoma, onde a matriz cartilaginosa calcifica, criando áreas de densidade aumentada visíveis na tomografia.

Adicionalmente, a tomografia mostrou a ruptura da cortical óssea, uma provável causa da dor inicial do paciente. Esta ruptura indica uma lesão ativa e agressiva, com erosão significativa do osso e comprometimento estrutural. Em cortes ampliados, observou-se o afilamento e insuflação da cortical, com inúmeros focos de calcificação, corroborando a natureza agressiva da lesão.

Conduta e Tratamento

Dado o comportamento agressivo da lesão e os sintomas apresentados pelo paciente, optou-se por monitoramento mensal através de imagens, sem a realização prévia de biópsia, pois o comportamento clínico e de imagem sobrepõe-se à patologia, em que é muitas vezes diagnosticado como condroma na amostra de biópsia.

No terceiro mês de acompanhamento, as imagens mostraram progressão da lesão, confirmando a necessidade de intervenção cirúrgica, com margem, devendo ser operado como condrossarcoma, neoplasia maligna que é curável com a cirurgia,

A abordagem cirúrgica envolveu a ressecção completa da lesão com margens adequadas, removendo o ramo íleo-púbico direito e parte da parede do acetábulo. A radiografia pós-operatória confirmou a remoção bem-sucedida da lesão, e a peça cirúrgica mostrou as áreas líticas e os focos de condensação característicos do condrossarcoma.

Pós-Operatório e Recuperação

O paciente apresentou uma recuperação notável, com incisão cirúrgica bem cicatrizada e retorno completo da função dos membros inferiores. Dez anos após a cirurgia, o paciente estava curado do tumor, sem nenhum déficit funcional, e praticava atividades físicas, como o tênis, sem limitações.

Considerações Finais

Este caso ilustra a importância de um diagnóstico preciso e um tratamento agressivo para lesões malignas como o condrossarcoma. A utilização de múltiplas modalidades de imagem foi crucial para a caracterização da lesão e planejamento cirúrgico. A ressecção completa, aliada a um monitoramento rigoroso, foi essencial para o sucesso do tratamento e a recuperação funcional do paciente.

A experiência clínica detalhada neste caso reforça a necessidade de uma abordagem adequada no manejo do condrossarcoma, envolvendo avaliação com radiologistas e cirurgiões ortopedistas especializados em cirurgia oncológica ortopédica, para garantir o melhor desfecho possível para o paciente.

Condrossarcoma Do Ramo Ilíaco. Paciente masculino, 38 anos de idade, engenheiro, refere dores no quadril direito havia dois meses.
A radiografia do quadril direito mostrou lesão no ramo ílio-púbico (Figura 1) e a cintilografia captou apenas nesta região (Figura 2).

Figura 1: Radiografia da pelve direita com lesão de rarefação óssea e focos de condensação.
Figura 1: Radiografia da pelve direita com lesão de rarefação óssea e focos de condensação.
Figura 2: Cintilografia óssea com hiper captação apenas no ramo íleo púbico direito.
Figura 2: Cintilografia óssea com hiper captação apenas no ramo íleo púbico direito.

A tomografia mostrou uma lesão lítica, acometendo parte da cavidade acetabular e contendo pontos de condensação sugestivo de focos de calcificação (Figuras 3 e 4). A análise detalhada das radiografias (Figuras 5 e 6) e dos cortes tomográficos (Figuras 7 e 8) mostram lesão agressiva, em raiz de membro, em paciente na quarta década.

Figura 3: Corte de tomografia evidenciando a lesão, com comprometimento do ramo íleo púbico direito e parte da parede do acetábulo.
Figura 3: Corte de tomografia evidenciando a lesão, com comprometimento do ramo íleo púbico direito e parte da parede do acetábulo.
Figura 4: Podemos observar a ruptura da cortical que deve ter provocado a dor e início do sintoma do paciente. Portanto é uma lesão ativa.
Figura 4: Podemos observar a ruptura da cortical que deve ter provocado a dor e início do sintoma do paciente. Portanto é uma lesão ativa.
Figura 5: Radiografia da bacia frente, com a lesão do ramo íleo púbico direito.
Figura 5: Radiografia da bacia frente, com a lesão do ramo íleo púbico direito.
Figura 6: Em detalhe ampliado observamos o afilamento e a insuflação da cortical, com inúmeros focos de calcificação. O paciente tem dor, motivo pelo qual procurou o médico, e apresenta lesão ativa, localmente agressiva.
Figura 6: Em detalhe ampliado observamos o afilamento e a insuflação da cortical, com inúmeros focos de calcificação. O paciente tem dor, motivo pelo qual procurou o médico, e apresenta lesão ativa, localmente agressiva.
Figura 7: Corte tomográfico com densidade para osso. Lesão de rarefação óssea com insuflação e erosão da cortical, com evidentes focos de condensação que sugerem fortemente tratar-se de focos de calcificação.
Figura 7: Corte tomográfico com densidade para osso. Lesão de rarefação óssea com insuflação e erosão da cortical, com evidentes focos de condensação que sugerem fortemente tratar-se de focos de calcificação.
Figura 8: Corte tomográfico com densidade para tecidos moles. Observamos o comprometimento de parte do acetábulo e a evidente ruptura da cortical.
Figura 8: Corte tomográfico com densidade para tecidos moles. Observamos o comprometimento de parte do acetábulo e a evidente ruptura da cortical.

Realizamos controle mensal de imagens, sem biópsia. No terceiro mês, com as imagens revelando a evolução da lesão, tratamos oncologicamente como a lesão agressiva que era, considerando-se a hipótese mais provável de condrossarcoma. Realizamos a ressecção completa da lesão, com margem (Figuras 9 e 10). Pode observar a incisão e a função do paciente após dez anos (Figuras 11 a 13).

Figura 9: Radiografia da bacia, após a ressecção do ramo íleo púbico direito, com parte da parede do acetábulo.
Figura 9: Radiografia da bacia, após a ressecção do ramo íleo púbico direito, com parte da parede do acetábulo.
Figura 10: Radiografia da peça cirúrgica, em bloco. Observamos as áreas líticas e os focos de condensação.
Figura 10: Radiografia da peça cirúrgica, em bloco. Observamos as áreas líticas e os focos de condensação.
Figura 12: Paciente com carga total e flexão completa dos MMII.
Figura 11: Incisão da cirurgia. Figura 12: Paciente com carga total e flexão completa dos MMII.
Figura 13: Carga monopodal no membro operado, sem nenhum déficit funcional. O paciente encontra-se curado do tumor e é praticante de tênis.
Figura 13: Carga monopodal no membro operado, sem nenhum déficit funcional. O paciente encontra-se curado do tumor e é praticante de tênis.

Autor : Prof. Dr. Pedro Péricles Ribeiro Baptista

 Oncocirurgia Ortopédica do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho

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