Esta biblioteca digital abriga o livro sobre Oncologia e Oncocirurgia Ortopédica.

Ela inclui aulas acadêmicas, palestras proferidas em congressos nacionais e internacionais, trabalhos publicados, discussões de casos, procedimentos cirúrgicos realizados e técnicas próprias desenvolvidas.

O formato digital foi escolhido porque a web permite a inclusão de textos com inúmeros recursos visuais, como imagens e vídeos, que não seriam possíveis em um livro impresso.

O conteúdo é destinado a estudantes, profissionais da saúde e ao público em geral interessado na área.

drpprb@gmail.com

Sacrectomia total sem reconstrução – Parte 2

Confira abaixo o vídeo da cirurgia.

Sacrectomia total sem reconstrução - Parte 2

Na segunda parte da técnica de sacrectomia total utilizando serras Gigli, demonstraremos sua evolução, destacando o uso da laparoscopia. Discutiremos sua aplicação para guiar as serras Gigli da cavidade pélvica para a região dorsal do paciente.

A primeira vez que utilizamos a laparoscopia foi em um caso envolvendo uma paciente com uma lesão osteolítica no forame sacral S-3.

Ela apresentava sintomas clínicos de dor e dormência na perna esquerda. A radiografia revelou um forame aumentado na vértebra sacral S-3. A tomografia computadorizada mostrou uma área bem definida, e a ressonância magnética exibiu uma lesão circunscrita, delimitada por uma pseudocápsula espessa. Na seção sagital, observamos a formação de um tumor sacral e sua continuidade com a raiz nervosa, sugerindo ser um schwannoma. Uma arteriografia foi realizada para um estudo mais aprofundado. A reconstrução por tomografia indicou que a lesão provavelmente era de crescimento lento, crônica e benigna.

Um cirurgião realizou a laparoscopia, abrindo o retroperitônio e isolando os vasos ilíacos sob nossa orientação, para ligar e cortar a artéria e veia ilíacas internas esquerdas. Em seguida, o tumor foi exposto, e confirmamos sua continuidade com a raiz S-3, assemelhando-se a uma cauda de cavalo. Em seguida, ele colocou o tumor dentro de uma luva cirúrgica e aspirou o conteúdo, removendo tudo pelo tubo laparoscópico. A paciente conseguiu andar no segundo dia após a cirurgia.

Discutimos a possibilidade de realizar a dissecção de tumores sacrais passando as serras Gigli laparoscopicamente. Para adquirir a curva de aprendizado, começamos com um caso de sarcoma de Ewing afetando o sacro abaixo de S-3. Nesse caso, só precisávamos passar uma serra horizontalmente. O tumor foi ressecado com sucesso oncologicamente.

Um fio de Kirschner é colocado como guia, e posicionamos dois segmentos do tubo: o primeiro é mais curto e sairá pelas costas do paciente, enquanto o segundo empurrará o primeiro e será removido primeiro, conforme o diagrama. Repetimos essa operação para a passagem das outras serras. Dessa forma, temos as três serras posicionadas com segurança para realizar as osteotomias pela abordagem posterior. Atualmente, usamos a laparoscopia para realizar todos os procedimentos que anteriormente eram feitos pela abordagem anterior.

O caso de uma paciente com um cordoma de grande volume, envolvendo todo o sacro e com dificuldade para defecar e urinar, que estava acamada há oito meses em outro hospital, foi decisivo na aprovação dessa técnica. A paciente tinha úlceras de pressão e postura de flexão de quadril e joelho. Ela foi operada utilizando a técnica da serra Gigli, posicionada laparoscopicamente, e então realizamos a liberação e alongamento dos flexores do quadril e joelho, realinhando os membros inferiores. Este caso de cordoma, apesar de sua gravidade, foi operado com sucesso, e a sacrectomia total com assistência laparoscópica foi bem-sucedida. A paciente iniciou fisioterapia e reabilitação das funções excretoras da bexiga e intestino por meio de manobras abdominais. Ela pode andar com a ajuda de um andador e está reintegrada à vida diária, de forma independente, apesar dos déficits motores nos músculos dorsiflexores do tornozelo.

A sacrectomia com assistência laparoscópica é vantajosa, apresentando tempos de cirurgia mais curtos, redução da necessidade de transfusões de sangue e resultados funcionais satisfatórios. Atualmente, não vemos necessidade de realizar reconstruções.

Sacrectomia total sem reconstrução - Parte 1

Sacrectomia total sem reconstrução – Parte 1

Sacrectomia total sem reconstrução - Parte 1

Confira abaixo o vídeo da cirurgia.

Sacrectomia total sem reconstrução - Parte 1

Em alguns casos de tumores ósseos e de traumas graves, as falências de próteses ou osteossíntese podem representar um desafio significativo. É nesse cenário que a artrodese do joelho emerge como uma alternativa viável. Esta técnica pode ser realizada de diversas maneiras, sendo uma delas com uma prótese do tipo diafisária ou através de uma solução biológica empregando-se enxerto autólogo e osteossíntese.

Por exemplo, quando nos deparamos com a falência de uma prótese primária infectada ou em situações de tumores ósseos agressivos ou traumas, a artrodese pode se tornar uma alternativa à amputação.

Consideremos este caso de condrossarcoma recidivado, após duas tentativas cirúrgicas, sem sucesso, em que a necessidade de uma ressecção ampla se faz presente, e a reconstrução com uma artrodese, pode ser a única alternativa para evitarmos a amputação. Nesses casos, a artrodese empregando uma prótese diafisária pode oferecer a chance de preservação deste membro.

O sucesso exige uma ressecção cuidadosa, com a remoção dos tecidos comprometidos, preservando os vasos poplíteos e nervos da região. Em seguida, é realizada a reconstrução com uma prótese modular do tipo diafisária, neste caso foi especialmente moldada, com a confecção de um segmento de polietileno, visando dar um formato mais estético para a região do “neo joelho”, minimizando o defeito deixado pela extensa ressecção do segmento afetado pelo tumor e atendendo ao objetivo de garantir uma ressecção ampla, com margens oncológicas seguras.

Neste outro exemplo de um tumor de células gigantes, que destruiu todo o planalto tibial e o 1/3 proximal da tíbia, a abordagem pode ser biológica. Nesse paciente, aproveitamos o osso autólogo do próprio local, no caso dos côndilos femorais, para preencher a falha óssea deixada pela ressecção da neoplasia.

É importante ressaltar que a técnica exige precisão e cuidado, tanto na ressecção quanto na reconstrução. A placa utilizada na fixação deve ser posicionada de forma a garantir um alinhamento adequado e evitar rotações indesejadas. A integração da artrodese com o enxerto autólogo biológico é fundamental para o sucesso do procedimento.

Em casos de traumatismos graves, com grande destruição óssea devido a traumas de alta energia, a artrodese pode ser a única opção viável para restaurar a estabilidade do membro e evitar a amputação. Esses casos, que estamos mostrando, foram apresentados no Congresso Internacional de Trauma no Joelho, em Ribeirão Preto – SP, mostrando a nossa experiência com estas duas técnicas de artrodese, empregando próteses diafisária ou osteossíntese com reconstrução biológica. Para mais informações sobre essas técnicas e apreciação de outros casos clínicos semelhantes, visite o site  www.oncocirurgia.com.br,

 Através do compartilhamento de conhecimento e experiências, poderemos avançar no desenvolvimento para o tratamento de condições ortopédicas complexas.

Endoprótese em Revisões de Artroplastias

Endoprótese em Revisões de Artroplastias

Endoprótese em Revisões de Artroplastias

Endoprótese em Revisões de Artroplastias

As endopróteses não convencionais, empregadas na oncocirurgia ortopédica, tem se destacado como a alternativa, em casos de complicações e falhas nas artroplastias, oferecendo uma abordagem que merece atenção especial. 

A publicação de nossa palestra, realizada no Curso de Cirurgia Avançada do Quadril ocorrido em novembro de 2022, no Hospital Sírio Libanês – São Paulo/SP, representando o Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, o primeiro hospital de câncer do Brasil, visa divulgar esta técnica distinta, como solução para casos complexos de revisão em artroplastias fracassadas.

Nos Estados Unidos são realizadas centenas de milhares de artroplastias do quadril anualmente, sendo que as revisões representam cerca de 20% delas. Uma parte significativa dos gastos, evidenciando a importância de soluções eficazes para esses casos.

A classificação de Paprovisky, utilizada pelos cirurgiões do quadril, que cataloga os defeitos femorais, procurando oferecer um parâmetro para orientar o tratamento, cita a utilização das endopróteses por último. O dogma incutido aos cirurgiões de “sempre preservarem o estoque ósseo” tem resultado em inúmeras cirurgias de revisão, representando elevado custo social e criado grandes desastres para os pacientes.

Analisamos dois casos de próteses do quadril, que foram revisadas inúmeras vezes, para ilustrar a complexidade dessas situações e a necessidade de termos a mente aberta para as abordagens inovadoras. 

É fundamental reconhecermos que as revisões de artroplastias representam desafios únicos, exigindo um planejamento cirúrgico detalhado, um conhecimento dos materiais e técnicas cirúrgicas descritas, bem como uma compreensão profunda das condições clínicas e expectativas do nosso paciente. 

A alternativa do emprego das endoprótese não convencionais e da “ressecção em bloco”, do problemático segmento afetado, deve ser considerada, permitindo-nos oferecer todas as alternativas e optarmos pela de menor morbidade e maior probabilidade do rápido restabelecimento funcional para o paciente idoso.

À medida que avançamos na prática médica, é essencial continuarmos explorando e refinando essas técnicas para oferecer o melhor cuidado possível aos nossos pacientes. 

Confira abaixo o vídeo da cirurgia.

Artrodese do doelho com Solução Protética ou Biológica

Artrodese do Joelho

Artrodese do doelho com Solução Protética ou Biológica

Artrodese do Joelho com Solução Protética ou Biológica

Em alguns casos de tumores ósseos e de traumas graves, as falências de próteses ou osteossíntese podem representar um desafio significativo. É nesse cenário que a artrodese do joelho emerge como uma alternativa viável. Esta técnica pode ser realizada de diversas maneiras, sendo uma delas com uma prótese do tipo diafisária ou através de uma solução biológica empregando-se enxerto autólogo e osteossíntese.

Por exemplo, quando nos deparamos com a falência de uma prótese primária infectada ou em situações de tumores ósseos agressivos ou traumas, a artrodese pode se tornar uma alternativa à amputação.

Consideremos este caso de condrossarcoma recidivado, após duas tentativas cirúrgicas, sem sucesso, em que a necessidade de uma ressecção ampla se faz presente, e a reconstrução com uma artrodese, pode ser a única alternativa para evitarmos a amputação. Nesses casos, a artrodese empregando uma prótese diafisária pode oferecer a chance de preservação deste membro.

O sucesso exige uma ressecção cuidadosa, com a remoção dos tecidos comprometidos, preservando os vasos poplíteos e nervos da região. Em seguida, é realizada a reconstrução com uma prótese modular do tipo diafisária, neste caso foi especialmente moldada, com a confecção de um segmento de polietileno, visando dar um formato mais estético para a região do “neo joelho”, minimizando o defeito deixado pela extensa ressecção do segmento afetado pelo tumor e atendendo ao objetivo de garantir uma ressecção ampla, com margens oncológicas seguras.

Neste outro exemplo de um tumor de células gigantes, que destruiu todo o planalto tibial e o 1/3 proximal da tíbia, a abordagem pode ser biológica. Nesse paciente, aproveitamos o osso autólogo do próprio local, no caso dos côndilos femorais, para preencher a falha óssea deixada pela ressecção da neoplasia.

É importante ressaltar que a técnica exige precisão e cuidado, tanto na ressecção quanto na reconstrução. A placa utilizada na fixação deve ser posicionada de forma a garantir um alinhamento adequado e evitar rotações indesejadas. A integração da artrodese com o enxerto autólogo biológico é fundamental para o sucesso do procedimento.

Em casos de traumatismos graves, com grande destruição óssea devido a traumas de alta energia, a artrodese pode ser a única opção viável para restaurar a estabilidade do membro e evitar a amputação. Esses casos, que estamos mostrando, foram apresentados no Congresso Internacional de Trauma no Joelho, em Ribeirão Preto – SP, mostrando a nossa experiência com estas duas técnicas de artrodese, empregando próteses diafisária ou osteossíntese com reconstrução biológica. Para mais informações sobre essas técnicas e apreciação de outros casos clínicos semelhantes, visite o site  www.oncocirurgia.com.br,

 Através do compartilhamento de conhecimento e experiências, poderemos avançar no desenvolvimento para o tratamento de condições ortopédicas complexas.

Confira abaixo o vídeo da cirurgia.

Tumor Ósseo Primitivo: Sarcoma de Ewing

Sarcoma de Ewing Transposição do rádio para a ulna

Tumor Ósseo Primitivo: Sarcoma de Ewing

Sarcoma de Ewing

Transposição do rádio para a ulna

Sarcoma de Ewing. Em 2007, realizamos um procedimento cirúrgico para tratar um tumor ósseo primitivo, diagnosticado como Sarcoma de Ewing. Esta forma de tumor é conhecida por sua agressividade e desafios no tratamento. A intervenção cirúrgica envolveu a ressecção da ulna, um osso do antebraço, que estava afetado pela lesão.

Antes da cirurgia, exames como a cintilografia óssea e ressonância foram realizados para estadiar a extensão do tumor. Os resultados indicaram uma lesão única na ulna direita. Optamos por uma abordagem cirúrgica após a fase de quimioterapia neoadjuvante.

A cirurgia começou com a preparação meticulosa do paciente e a delimitação do trajeto da biópsia para orientar a ressecção, com margem oncológica. O osso ilíaco foi preparado para obtermos um segmento de enxerto autólogo, necessário para a reconstrução do punho, após a remoção do segmento da ulna comprometido. Utilizamos o termo cautério (bisturi elétrico) para dissecar os tecidos com melhor hemostasia e precisão, minimizando danos aos tecidos circundantes e obtendo melhor margem oncológica.

Após a delimitação circunferencial do tumor, realizamos a ressecção da ulna comprometida, seguida pela preparação da reconstrução com a colocação da cabeça do rádio, o outro osso do antebraço, no sulco entre os côndilos umerais, adequado para funcionar com flexo-extensão, neste novo antebraço de um só osso. O segmento de enxerto ósseo do ilíaco foi então usado para promover a sinostose rádio-ulnar distal, ou seja, a fusão dos ossos rádio e ulna, estabilizando o novo punho.

Durante a cirurgia, técnicas de sutura foram empregadas para fixar a cabeça do rádio no tendão do músculo tríceps braquial, para assegurar a estabilidade do neo cotovelo, propiciando uma satisfatória flexo-extensão. Parafuso e pino foram utilizados para garantir a fixação adequada da sinostose rádio ulnar distal.

Após a conclusão da cirurgia, foi realizada uma radiografia para avaliar o resultado do procedimento. O tumor foi completamente ressecado, e a reconstrução do osso foi bem-sucedida. O paciente foi orientado sobre os cuidados pós-operatórios, incluindo fisioterapia para promover a recuperação funcional do membro afetado.

A cirurgia foi um marco importante na jornada do paciente contra o sarcoma de Ewing, representando um passo significativo no tratamento dessa doença complexa e propiciando uma boa função do membro operado.

Através de uma abordagem multidisciplinar e tecnologia adequada, conseguimos cumprir nosso compromisso em proporcionar o melhor cuidado possível aos pacientes que enfrentam desafios de saúde tão complexos e difíceis.

Prof. Dr. Pedro Péricles Ribeiro Baptista    drpprb@gmail.com  +55 11 99863-5577

Confira abaixo o vídeo da cirurgia.

Condroblastoma

Condroblastoma

Condroblastoma

O condroblastoma é uma neoplasia benigna rara que corresponde a aproximadamente 1,8% de todos os tumores ósseos. Este tipo de tumor tem preferência pela epífise dos ossos longos e geralmente se manifesta como uma lesão de rarefação óssea, com focos de calcificação. É mais comum em pacientes do sexo masculino, ocorrendo tipicamente durante a primeira e segunda décadas de vida, quando a placa de crescimento ainda está aberta.

Descrito inicialmente por Codman em 1931, o condroblastoma foi inicialmente associado ao “tumor de células gigantes calcificado” do úmero proximal. No entanto, estudos posteriores mostraram que se tratava de uma entidade tumoral distinta do tumor gigantocelular (TGC).

Devido à sua localização intra-articular, o condroblastoma pode apresentar sintomas semelhantes aos da artrite. Além disso, pode demonstrar agressividade local, causando erosão da cortical óssea, da placa de crescimento e invasão articular. Frequentemente, áreas de cistos ósseos aneurismáticos podem estar associadas a manifestações radiográficas de agressividade local.

O tratamento do condroblastoma geralmente envolve a curetagem intralesional seguida de adjuvantes locais, como fenol, eletrotermia ou nitrogênio líquido, além da colocação de enxerto ósseo autólogo ou cimento de polimetilmetacrilato. Em casos mais avançados, pode ser necessária a ressecção segmentar seguida de reconstrução com prótese ou artrodese em casos recidivados ou muito avançados.

O prognóstico do condroblastoma pode ser reservado devido ao risco de recidiva local e às possíveis complicações ortopédicas, incluindo degeneração articular e déficit de crescimento.

Embora raramente, o condroblastoma pode levar a metástases pulmonares com histologia semelhante à do tumor benigno, sem apresentar atipias. O tratamento para essas metástases pode ser o acompanhamento clínico e de imagens e se a observação indicar evolução pode se fazer necessária a exérese cirúrgica.

Em resumo, o condroblastoma é uma neoplasia óssea benigna que, embora rara, requer atenção cuidadosa devido à seu potencial de agressividade local e possíveis complicações a longo prazo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para garantir o melhor prognóstico possível para os pacientes afetados.

veja o caso de Condroblastoma do Fêmur

Autor : Prof. Dr. Pedro Péricles Ribeiro Baptista

 Oncocirurgia Ortopédica do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho

Tumor de Células Gigantes

Tumor de Células Gigantes

Tumor de Células Gigantes

Características, Diagnóstico e Tratamento

O tumor de células gigantes, também conhecido como TGC, é uma neoplasia de natureza mesenquimal que se destaca pela proliferação de células multinucleadas de grande porte, denominadas gigantócitos. Essas células assemelham-se aos osteoclastos e são encontradas em meio a um estroma de células mononucleadas. Devido à sua morfologia histológica peculiar, o diagnóstico preciso muitas vezes requer uma análise minuciosa do quadro clínico e radiográfico, a fim de evitar confusões com outros processos patológicos.

A manifestação principal do tumor gigante de células é a dor local intermitente, frequentemente acompanhada de aumento de volume na região afetada e restrição dos movimentos articulares adjacentes. O período de evolução varia de 6 a 12 meses, dependendo do osso comprometido, sendo comum relatos de trauma como desencadeador inicial dos sintomas.

Este tipo de tumor tende a acometer um único osso, principalmente os ossos longos como o fêmur, tíbia, úmero e rádio. No entanto, em casos mais raros, pode ocorrer em ossos do esqueleto axial, com predileção pelo sacro. A incidência é mais comum entre a terceira e quarta décadas de vida, afetando igualmente ambos os sexos.

Radiograficamente, o TGC se apresenta como uma lesão epifisária caracterizada por rarefação óssea, inicialmente excêntrica e posteriormente comprometendo a cortical. A confirmação diagnóstica é obtida através da análise histológica, que revela a presença de células gigantes multinucleadas e estroma de células fusiformes.

O tratamento do tumor de células gigantes é bem estabelecido e visa à ressecção segmentar da lesão, sempre que possível, garantindo margens de segurança tanto ósseas quanto de partes moles. Nos casos em que a ressecção segmentar não é viável, como na coluna cervical, a curetagem endocavitária seguida de terapia adjuvante é indicada. Dentre as opções terapêuticas adjuvantes estão o laser CO2, o fenol diluído em álcool à 4%, o nitrogênio líquido e a eletrotermia.

A técnica da eletrotermia tem se mostrado eficaz na complementação da curetagem, proporcionando uma limpeza mais completa da cavidade tumoral. Após a eletrotermia, a fresagem da cavidade com o uso de instrumentos apropriados como o lento dril é realizada para garantir a remoção completa das células tumorais remanescentes.

O preenchimento da cavidade tratada pode ser feito com diferentes materiais, como enxerto ósseo autólogo, substitutos ósseos ou metilmetacrilato, cada um com suas vantagens e desvantagens. O acompanhamento pós-tratamento é essencial para monitorar a recorrência da doença e garantir a eficácia do tratamento realizado.

Em resumo, o tumor de células gigantes é uma condição complexa que requer uma abordagem multidisciplinar para garantir o melhor resultado terapêutico e a qualidade de vida do paciente. O avanço nas técnicas de diagnóstico e tratamento tem contribuído significativamente para melhorar o prognóstico desses pacientes, oferecendo opções terapêuticas cada vez mais eficazes e seguras.

Sarcomas em Tecidos Moles

Sarcomas em Tecidos Moles

Sarcomas em Tecidos Moles

Introdução:

A cirurgia oncológica ortopédica abarca o tratamento de lesões musculoesqueléticas, incluindo neoplasias ósseas benignas, malignas, lesões pseudo-tumorais e neoplasias benignas e malignas de tecidos moles. O sarcoma de tecidos moles é uma neoplasia maligna derivada do mesoderma, ocorrendo nos tecidos moles, como músculos, fáscias, tendões etc., diferenciando-se dos carcinomas, que têm origem embrionária no ectoderma.

Etiologia:

A maioria dos sarcomas de tecidos moles não tem uma causa definida, mas alguns fatores de risco estão bem descritos, como radioterapia prévia, linfedema, síndrome de Li-Fraumeni, neurofibromatose tipo I, propensão genética individual e infecção pelo vírus HIV.

Incidência:

É um tumor raro, representando cerca de 12% das neoplasias pediátricas e apenas 1% de todos os tumores malignos em adultos. Nos EUA, estima-se 12 mil casos novos por ano, resultando em cerca de 4700 mortes. Cerca de 60% dos sarcomas de tecidos moles surgem nos membros, predominando na coxa, seguidos pela parede torácica e retroperitônio.

Classificação:

A classificação do sarcoma de tecidos moles é baseada no subtipo histológico, como lipossarcoma, sarcoma sinovial, rabdomiossarcoma etc. O grau histológico também é usado, sendo dividido em Grau 1 (bem diferenciado), Grau 2 (moderadamente diferenciado) e Grau 3 (pouco diferenciado).

Quadro clínico:

O quadro clínico inicial é caracterizado por um abaulamento tumoral palpável, muitas vezes indolor, com crescimento progressivo, principalmente na coxa. Alguns pacientes podem apresentar dor e parestesia por efeito compressivo tumoral. A febre ou emagrecimento são sintomas excepcionais.

Estadiamento:

No diagnóstico, o sarcoma de tecidos moles raramente apresenta metástase, ocorrendo mais frequentemente como tumores de grande volume, profundos à fáscia muscular e de alto grau. O padrão de disseminação é principalmente hematogênico, com metástases pulmonares predominantes.

Exames de imagem:

Os exames incluem radiografia, ressonância magnética, tomografia, PET-CT e cintilografia. A biópsia é indicada para diagnóstico histológico, e pode ser realizada de diversas maneiras, dentre elas destacam-se a biópsia percutânea com agulha, incisional (cirúrgica), guiada por ultrassom ou tomografia.

Patologia:

O patologista desempenha um papel crucial no diagnóstico, realizando desde exames como o de congelação, para garantir a representatividade da amostra, e posteriormente o estudo microscópico em parafina, para o diagnóstico histopatológico bem como determinar o grau histológico do tumor. A imuno-histoquímica é um recurso importante para complementar o estudo da amostra.

Sarcoma de Ewing Diagnóstico e Tratamento

Sarcoma de Ewing Diagnóstico e Tratamento

Sarcoma de Ewing

Diagnóstico e Tratamento

Sarcoma de Ewing Diagnóstico e Tratamento. O sarcoma de Ewing é um tumor maligno composto por células indiferenciadas, pequenas e redondas, que representa um desafio clínico significativo devido à sua natureza agressiva e rápida disseminação. Este tipo de neoplasia tem uma incidência máxima na primeira e segunda décadas de vida, sendo menos comum após a terceira década, e exibindo uma proporção de 2:1 entre os sexos masculino e feminino.

Embora a origem exata das células do sarcoma de Ewing tenha sido objeto de controvérsia, estudos recentes sugerem uma origem neuro ectodérmica. Esses tumores frequentemente surgem na região meta diafisária dos ossos tubulares longos e na pelve, e sua característica macroscópica inclui uma lesão óssea de cor cinza-esbranquiçada e consistência mole. Uma característica distintiva é a formação de reação lamelar fina, resultando em uma aparência radiográfica de “casca de cebola” e com uma quantidade grande de lesão extra cortical.

No exame histológico, o sarcoma de Ewing apresenta células uniformemente distribuídas, pequenas e redondas, semelhantes a linfócitos, mas de tamanho maior. A técnica de impregnação argêntica revela escassez de fibras de reticulina, comumente encontradas apenas ao redor de vasos sanguíneos e no linfoma. Manifestações clínicas incluem dor, tumefação, hipersensibilidade local e aumento na velocidade de hemossedimentação, podendo inicialmente se assemelhar a quadros de osteomielite.

O diagnóstico diferencial envolve distinção com osteossarcoma, granuloma eosinófilo, rabdomiossarcoma e osteomielite. O tratamento atualmente adotado consiste em poliquimioterapia pré-operatória seguida de cirurgia para ressecção da lesão, complementada por poliquimioterapia pós-operatória.  A reconstrução do segmento pode ser realizada após a ressecção, utilizando-se endoprótese ou soluções biológicas com enxertos ósseos autólogo. Nas crianças pode-se empregar técnicas de autotransplante da placa de crescimento, transladando a placa da fíbula para a tíbia ou para outras localizações como o ombro e o punho, nestes casos com o auxílio da microcirurgia.

A avaliação da resposta à quimioterapia pré-operatória é fundamental, tendo valor prognóstico e orientando o tratamento subsequente. Esta avaliação é classificada em graus, dependendo do percentual de necrose tumoral observada. Com os avanços no tratamento quimioterápico, os pacientes têm alcançado excelentes respostas e perspectivas de “cura”, o que tem impulsionado o uso de soluções biológicas no tratamento cirúrgico, visando evitar complicações associadas às endopróteses ou enxertos de banco, cuja durabilidade pode ser limitada.

Portanto, a compreensão abrangente do sarcoma de Ewing, desde o diagnóstico até as opções terapêuticas, é essencial para fornecer o melhor cuidado possível aos pacientes afetados por essa neoplasia maligna desafiadora.

Osteossarcoma de Superfície

Osteossarcoma de Superfície

Osteossarcoma de Superfície

Aspectos Clínicos, Diagnóstico e Tratamento

O osteossarcoma de superfície, também conhecido como paraosteal ou justa-cortical, é uma forma específica desse tipo de tumor ósseo que se origina na superfície externa do osso, sem envolvimento da medula óssea. Nesse tipo de lesão, a zona de crescimento do tumor é visível na superfície óssea, indicando uma região mais imatura do osso. O osteossarcoma de superfície pode apresentar duas representações histológicas distintas:

– Baixo Grau: Caracteriza-se pela ausência quase completa de mitoses atípicas e assemelha-se morfologicamente ao osso maduro. O diagnóstico geralmente é confirmado por meio de avaliação clínica e exames de imagem.

– Alto Grau (“High Grade”): Possui características clínicas semelhantes, porém exibe atipias e um padrão polimórfico de neoplasia imatura.

Clinicamente, o osteossarcoma de superfície geralmente apresenta uma evolução lenta e tende a incidir em indivíduos na terceira e quarta década de vida. As localizações mais comuns incluem a região metafisária posterior e distal do fêmur, cavo poplíteo, úmero proximal e rádio distal.

Radiologicamente, essa forma de osteossarcoma é caracterizada por uma lesão densa de neoformação óssea tumoral, com sua base em continuidade com a cortical do osso afetado. A superfície da lesão pode apresentar uma camada cartilaginosa, representando a zona mais imatura do tumor.

Um dos principais diagnósticos diferenciais é a miosite ossificante, que exibe uma área central imatura na lesão, enquanto a periferia é mais madura e calcificada.

O tratamento do osteossarcoma de superfície de baixo grau geralmente envolve a ressecção oncológica da lesão, podendo ser parcial, parietal ou segmentar, seguida de reconstrução com enxerto ósseo autólogo ou endoprótese. Já o osteossarcoma de alto grau é tratado de maneira semelhante ao osteossarcoma central, com protocolos que incluem quimioterapia, cirurgia e, em seguida, quimioterapia adjuvante.

Em resumo, compreender os aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos do osteossarcoma de superfície é crucial para garantir uma abordagem eficaz e personalizada para cada paciente, visando sempre alcançar os melhores resultados clínicos e boa qualidade de vida.

1 2 3 7
Olá! Como podemos auxiliá-lo?