Esta biblioteca digital abriga o livro sobre Oncologia e Oncocirurgia Ortopédica.

Ela inclui aulas acadêmicas, palestras proferidas em congressos nacionais e internacionais, trabalhos publicados, discussões de casos, procedimentos cirúrgicos realizados e técnicas próprias desenvolvidas.

O formato digital foi escolhido porque a web permite a inclusão de textos com inúmeros recursos visuais, como imagens e vídeos, que não seriam possíveis em um livro impresso.

O conteúdo é destinado a estudantes, profissionais da saúde e ao público em geral interessado na área.

Localização

Artrodese do joelho com solução protética ou biológica

Confira abaixo o vídeo da cirurgia.

Artrodese do Joelho com Solução Protética ou Biológica

Em alguns casos de tumores ósseos e de traumas graves, as falências de próteses ou osteossíntese podem representar um desafio significativo. É nesse cenário que a artrodese do joelho emerge como uma alternativa viável. Esta técnica pode ser realizada de diversas maneiras, sendo uma delas com uma prótese do tipo diafisária ou através de uma solução biológica empregando-se enxerto autólogo e osteossíntese.

Por exemplo, quando nos deparamos com a falência de uma prótese primária infectada ou em situações de tumores ósseos agressivos ou traumas, a artrodese pode se tornar uma alternativa à amputação.

Consideremos este caso de condrossarcoma recidivado, após duas tentativas cirúrgicas, sem sucesso, em que a necessidade de uma ressecção ampla se faz presente, e a reconstrução com uma artrodese, pode ser a única alternativa para evitarmos a amputação. Nesses casos, a artrodese empregando uma prótese diafisária pode oferecer a chance de preservação deste membro.

O sucesso exige uma ressecção cuidadosa, com a remoção dos tecidos comprometidos, preservando os vasos poplíteos e nervos da região. Em seguida, é realizada a reconstrução com uma prótese modular do tipo diafisária, neste caso foi especialmente moldada, com a confecção de um segmento de polietileno, visando dar um formato mais estético para a região do “neo joelho”, minimizando o defeito deixado pela extensa ressecção do segmento afetado pelo tumor e atendendo ao objetivo de garantir uma ressecção ampla, com margens oncológicas seguras.

Neste outro exemplo de um tumor de células gigantes, que destruiu todo o planalto tibial e o 1/3 proximal da tíbia, a abordagem pode ser biológica. Nesse paciente, aproveitamos o osso autólogo do próprio local, no caso dos côndilos femorais, para preencher a falha óssea deixada pela ressecção da neoplasia.

É importante ressaltar que a técnica exige precisão e cuidado, tanto na ressecção quanto na reconstrução. A placa utilizada na fixação deve ser posicionada de forma a garantir um alinhamento adequado e evitar rotações indesejadas. A integração da artrodese com o enxerto autólogo biológico é fundamental para o sucesso do procedimento.

Em casos de traumatismos graves, com grande destruição óssea devido a traumas de alta energia, a artrodese pode ser a única opção viável para restaurar a estabilidade do membro e evitar a amputação. Esses casos, que estamos mostrando, foram apresentados no Congresso Internacional de Trauma no Joelho, em Ribeirão Preto – SP, mostrando a nossa experiência com estas duas técnicas de artrodese, empregando próteses diafisária ou osteossíntese com reconstrução biológica. Para mais informações sobre técnicas de soluções biológicas, empregando enxertos ósseos autólogos, veja exemplos de reconstruções em casos no membro superior Parte 1; reconstruções da pelve, fêmur e joelho  Parte 2; diáfise da tíbia Parte 3 e do tornozelo Parte 4.

Você também pode ver estes casos nos vídeos de reconstruções biológicas: Vídeo 1,  Vídeo 2, Vídeo 3Vídeo 4 

Tumor Ósseo Primitivo: Sarcoma de Ewing

Sarcoma de Ewing Transposição do rádio para a ulna

Confira abaixo o vídeo da cirurgia.

Tumor Ósseo Primitivo: Sarcoma de Ewing

Sarcoma de Ewing

Transposição do rádio para a ulna

Sarcoma de Ewing. Em 2007, realizamos um procedimento cirúrgico para tratar um tumor ósseo primitivo, diagnosticado como Sarcoma de Ewing. Esta forma de tumor é conhecida por sua agressividade e desafios no tratamento. A intervenção cirúrgica envolveu a ressecção da ulna, um osso do antebraço, que estava afetado pela lesão.

Antes da cirurgia, exames como a cintilografia óssea e ressonância foram realizados para estadiar a extensão do tumor. Os resultados indicaram uma lesão única na ulna direita. Optamos por uma abordagem cirúrgica após a fase de quimioterapia neoadjuvante.

A cirurgia começou com a preparação meticulosa do paciente e a delimitação do trajeto da biópsia para orientar a ressecção, com margem oncológica. O osso ilíaco foi preparado para obtermos um segmento de enxerto autólogo, necessário para a reconstrução do punho, após a remoção do segmento da ulna comprometido. Utilizamos o termo cautério (bisturi elétrico) para dissecar os tecidos com melhor hemostasia e precisão, minimizando danos aos tecidos circundantes e obtendo melhor margem oncológica.

Após a delimitação circunferencial do tumor, realizamos a ressecção da ulna comprometida, seguida pela preparação da reconstrução com a colocação da cabeça do rádio, o outro osso do antebraço, no sulco entre os côndilos umerais, adequado para funcionar com flexo-extensão, neste novo antebraço de um só osso. O segmento de enxerto ósseo do ilíaco foi então usado para promover a sinostose rádio-ulnar distal, ou seja, a fusão dos ossos rádio e ulna, estabilizando o novo punho.

Durante a cirurgia, técnicas de sutura foram empregadas para fixar a cabeça do rádio no tendão do músculo tríceps braquial, para assegurar a estabilidade do neo cotovelo, propiciando uma satisfatória flexo-extensão. Parafuso e pino foram utilizados para garantir a fixação adequada da sinostose rádio ulnar distal.

Após a conclusão da cirurgia, foi realizada uma radiografia para avaliar o resultado do procedimento. O tumor foi completamente ressecado, e a reconstrução do osso foi bem-sucedida. O paciente foi orientado sobre os cuidados pós-operatórios, incluindo fisioterapia para promover a recuperação funcional do membro afetado.

A cirurgia foi um marco importante na jornada do paciente contra o sarcoma de Ewing, representando um passo significativo no tratamento dessa doença complexa e propiciando uma boa função do membro operado.

Através de uma abordagem multidisciplinar e tecnologia adequada, conseguimos cumprir nosso compromisso em proporcionar o melhor cuidado possível aos pacientes que enfrentam desafios de saúde tão complexos e difíceis.

Prof. Dr. Pedro Péricles Ribeiro Baptista    drpprb@gmail.com  +55 11 99863-5577

Condroblastoma

Condroblastoma

Condroblastoma

O condroblastoma é uma neoplasia benigna rara que corresponde a aproximadamente 1,8% de todos os tumores ósseos. Este tipo de tumor tem preferência pela epífise dos ossos longos e geralmente se manifesta como uma lesão de rarefação óssea, com focos de calcificação. É mais comum em pacientes do sexo masculino, ocorrendo tipicamente durante a primeira e segunda décadas de vida, quando a placa de crescimento ainda está aberta.

Descrito inicialmente por Codman em 1931, o condroblastoma foi inicialmente associado ao “tumor de células gigantes calcificado” do úmero proximal. No entanto, estudos posteriores mostraram que se tratava de uma entidade tumoral distinta do tumor gigantocelular (TGC).

Devido à sua localização intra-articular, o condroblastoma pode apresentar sintomas semelhantes aos da artrite. Além disso, pode demonstrar agressividade local, causando erosão da cortical óssea, da placa de crescimento e invasão articular. Frequentemente, áreas de cistos ósseos aneurismáticos podem estar associadas a manifestações radiográficas de agressividade local.

O tratamento do condroblastoma geralmente envolve a curetagem intralesional seguida de adjuvantes locais, como fenol, eletrotermia ou nitrogênio líquido, além da colocação de enxerto ósseo autólogo ou cimento de polimetilmetacrilato. Em casos mais avançados, pode ser necessária a ressecção segmentar seguida de reconstrução com prótese ou artrodese em casos recidivados ou muito avançados.

O prognóstico do condroblastoma pode ser reservado devido ao risco de recidiva local e às possíveis complicações ortopédicas, incluindo degeneração articular e déficit de crescimento.

Embora raramente, o condroblastoma pode levar a metástases pulmonares com histologia semelhante à do tumor benigno, sem apresentar atipias. O tratamento para essas metástases pode ser o acompanhamento clínico e de imagens e se a observação indicar evolução pode se fazer necessária a exérese cirúrgica.

Em resumo, o condroblastoma é uma neoplasia óssea benigna que, embora rara, requer atenção cuidadosa devido à seu potencial de agressividade local e possíveis complicações a longo prazo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para garantir o melhor prognóstico possível para os pacientes afetados.

veja o caso de Condroblastoma do Fêmur

Sarcomas em Tecidos Moles

Sarcomas em Tecidos Moles

Sarcomas em Tecidos Moles

Introdução:

A cirurgia oncológica ortopédica abarca o tratamento de lesões musculoesqueléticas, incluindo neoplasias ósseas benignas, malignas, lesões pseudo-tumorais e neoplasias benignas e malignas de tecidos moles. O sarcoma de tecidos moles é uma neoplasia maligna derivada do mesoderma, ocorrendo nos tecidos moles, como músculos, fáscias, tendões etc., diferenciando-se dos carcinomas, que têm origem embrionária no ectoderma.

Etiologia:

A maioria dos sarcomas de tecidos moles não tem uma causa definida, mas alguns fatores de risco estão bem descritos, como radioterapia prévia, linfedema, síndrome de Li-Fraumeni, neurofibromatose tipo I, propensão genética individual e infecção pelo vírus HIV.

Incidência:

É um tumor raro, representando cerca de 12% das neoplasias pediátricas e apenas 1% de todos os tumores malignos em adultos. Nos EUA, estima-se 12 mil casos novos por ano, resultando em cerca de 4700 mortes. Cerca de 60% dos sarcomas de tecidos moles surgem nos membros, predominando na coxa, seguidos pela parede torácica e retroperitônio.

Classificação:

A classificação do sarcoma de tecidos moles é baseada no subtipo histológico, como lipossarcoma, sarcoma sinovial, rabdomiossarcoma etc. O grau histológico também é usado, sendo dividido em Grau 1 (bem diferenciado), Grau 2 (moderadamente diferenciado) e Grau 3 (pouco diferenciado).

Quadro clínico:

O quadro clínico inicial é caracterizado por um abaulamento tumoral palpável, muitas vezes indolor, com crescimento progressivo, principalmente na coxa. Alguns pacientes podem apresentar dor e parestesia por efeito compressivo tumoral. A febre ou emagrecimento são sintomas excepcionais.

Estadiamento:

No diagnóstico, o sarcoma de tecidos moles raramente apresenta metástase, ocorrendo mais frequentemente como tumores de grande volume, profundos à fáscia muscular e de alto grau. O padrão de disseminação é principalmente hematogênico, com metástases pulmonares predominantes.

Exames de imagem:

Os exames incluem radiografia, ressonância magnética, tomografia, PET-CT e cintilografia. A biópsia é indicada para diagnóstico histológico, e pode ser realizada de diversas maneiras, dentre elas destacam-se a biópsia percutânea com agulha, incisional (cirúrgica), guiada por ultrassom ou tomografia.

Patologia:

O patologista desempenha um papel crucial no diagnóstico, realizando desde exames como o de congelação, para garantir a representatividade da amostra, e posteriormente o estudo microscópico em parafina, para o diagnóstico histopatológico bem como determinar o grau histológico do tumor. A imuno-histoquímica é um recurso importante para complementar o estudo da amostra.

Osteossarcoma de Superfície

Osteossarcoma de Superfície

Osteossarcoma de Superfície

Aspectos Clínicos, Diagnóstico e Tratamento

O osteossarcoma de superfície, também conhecido como paraosteal ou justa-cortical, é uma forma específica desse tipo de tumor ósseo que se origina na superfície externa do osso, sem envolvimento da medula óssea. Nesse tipo de lesão, a zona de crescimento do tumor é visível na superfície óssea, indicando uma região mais imatura do osso. O osteossarcoma de superfície pode apresentar duas representações histológicas distintas:

– Baixo Grau: Caracteriza-se pela ausência quase completa de mitoses atípicas e assemelha-se morfologicamente ao osso maduro. O diagnóstico geralmente é confirmado por meio de avaliação clínica e exames de imagem.

– Alto Grau (“High Grade”): Possui características clínicas semelhantes, porém exibe atipias e um padrão polimórfico de neoplasia imatura.

Clinicamente, o osteossarcoma de superfície geralmente apresenta uma evolução lenta e tende a incidir em indivíduos na terceira e quarta década de vida. As localizações mais comuns incluem a região metafisária posterior e distal do fêmur, cavo poplíteo, úmero proximal e rádio distal.

Radiologicamente, essa forma de osteossarcoma é caracterizada por uma lesão densa de neoformação óssea tumoral, com sua base em continuidade com a cortical do osso afetado. A superfície da lesão pode apresentar uma camada cartilaginosa, representando a zona mais imatura do tumor.

Um dos principais diagnósticos diferenciais é a miosite ossificante, que exibe uma área central imatura na lesão, enquanto a periferia é mais madura e calcificada.

O tratamento do osteossarcoma de superfície de baixo grau geralmente envolve a ressecção oncológica da lesão, podendo ser parcial, parietal ou segmentar, seguida de reconstrução com enxerto ósseo autólogo ou endoprótese. Já o osteossarcoma de alto grau é tratado de maneira semelhante ao osteossarcoma central, com protocolos que incluem quimioterapia, cirurgia e, em seguida, quimioterapia adjuvante.

Em resumo, compreender os aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos do osteossarcoma de superfície é crucial para garantir uma abordagem eficaz e personalizada para cada paciente, visando sempre alcançar os melhores resultados clínicos e boa qualidade de vida.

Osteocondroma

Osteocondroma

Osteocondroma

Diagnóstico e Tratamento

O osteocondroma, também conhecido como exostose osteo-cartilaginosa, representa a lesão óssea benigna mais comum, embora sua incidência possa ser ainda maior do que a relatada na literatura devido a muitos pacientes apresentarem osteocondromas assintomáticos.

Essa condição geralmente se desenvolve nas primeiras e segundas décadas de vida, localizando-se na região metafisária dos ossos longos. Radiograficamente, caracteriza-se por apresentar um tumor composto de cartilagem e osso. Uma característica distintiva é que o osso esponjoso central da exostose se continua com a medular do osso afetado, enquanto a camada cortical densa do tumor se continua com a cortical normal do osso. Na superfície da lesão, há uma faixa de cartilagem, pela qual o crescimento da lesão ocorre, daí o nome “osteocondroma” – tumor formador de cartilagem e osso.

Os osteocondromas podem se apresentar como bases séssil (com base alargada) ou pediculada. Podem ser únicos ou múltiplos, caracterizando a osteocondromatose múltipla hereditária.

O tratamento padrão para osteocondromas é cirúrgico, geralmente envolvendo a ressecção, especialmente quando a lesão compromete a estética, comprime estrutura vascular, nervosa ou limita a função. É importante ressaltar que esses tumores geralmente continuam a crescer enquanto o paciente está em fase de crescimento.

Quando um osteocondroma aumenta de tamanho após a maturidade esquelética, isso pode indicar bursite pós-traumática ou, mais preocupantemente, malignização para condrossarcoma, o que exige ressecção com margens oncológicas.

O risco de malignização é baixo, com osteocondromas solitários apresentando uma taxa de malignização de cerca de 1%, enquanto a osteocondromatose múltipla pode chegar a 10%.

Em resumo, o entendimento abrangente das características, diagnóstico e tratamento do osteocondroma é essencial para garantir uma abordagem terapêutica eficaz e apropriada, visando sempre o bem-estar e a qualidade de vida do paciente.

Osteoblastoma

Osteoblastoma

Osteoblastoma

Tratamento e Diferenciação de Lesões Ósseas

O osteoblastoma é uma neoplasia óssea rara, caracterizada radiograficamente por áreas de rarefação óssea, com focos de ossificação mais densos. Este tumor apresenta duas formas clínicas distintas: o osteoblastoma genuíno, que é mais frequente e geralmente localiza-se no pedículo da coluna vertebral ou, menos comumente, na metáfise dos ossos longos; e o osteoblastoma agressivo, também conhecido como “maligno”.

Incidente principalmente na primeira e segunda décadas de vida, o quadro clínico do osteoblastoma é marcado por dor intensa, podendo levar a fraturas e déficits funcionais e neurológicos, especialmente quando ocorre na coluna vertebral, podendo até ocasionar escoliose antálgica em alguns casos.

O diagnóstico diferencial do osteoblastoma inclui outras lesões ósseas como o osteoma osteóide, o cisto ósseo aneurismático e o osteossarcoma, sendo fundamental uma avaliação criteriosa para determinar o curso terapêutico mais adequado.

O tratamento do osteoblastoma geralmente envolve a ressecção em bloco da lesão, com enxerto ósseo quando necessário. Em regiões como a coluna vertebral, onde a ressecção em bloco pode ser desafiadora, a curetagem criteriosa é realizada. Além disso, o uso de adjuvantes locais, como fenol e eletrotermia, tem sido cada vez mais empregado com o intuito de minimizar o risco de recidiva.

Em suma, o osteoblastoma é uma patologia que demanda atenção especializada e uma abordagem terapêutica multidisciplinar para garantir o melhor resultado clínico e evitar complicações futuras. O conhecimento detalhado sobre essa condição é essencial para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento eficaz, visando sempre a qualidade de vida e o bem-estar do paciente. Compreender as nuances diagnósticas e as opções terapêuticas disponíveis é fundamental para uma gestão bem-sucedida dessa condição. Portanto, é crucial que os profissionais de saúde estejam atualizados sobre os avanços mais recentes no campo do diagnóstico e tratamento do osteoblastoma.

Fibroma Condromixóide

Fibroma Condromixóide

Fibroma Condromixóide

Características, Diagnóstico e Tratamento

O fibroma Condromixóide é uma lesão óssea que requer atenção devido à sua agressividade local e peculiaridades histológicas. Esta condição apresenta uma série de características distintas que são importantes para o diagnóstico e tratamento adequados.

O fibroma Condromixóide é caracterizado por uma área de rarefação óssea, geralmente localizada excentricamente na metáfise dos ossos longos. Uma de suas características marcantes é a presença de um halo interno de esclerose óssea, que delimita a lesão do osso normal. Além disso, é comum observar erosão da cortical óssea, o que contribui para a agressividade local da lesão.

Do ponto de vista histológico, o fibroma Condromixóide apresenta pleomorfismo celular, com áreas de tecido condroide, fibroso e abundante material mixóide. Frequentemente, células gigantes multinucleadas também podem ser observadas, o que adiciona complexidade ao diagnóstico. Vale ressaltar que essa lesão pode ocorrer em associação com cistos ósseos aneurismáticos, o que pode influenciar nas opções de tratamento e no prognóstico.

Em termos de incidência, o fibroma Condromixóide tende a ocorrer com mais frequência na metáfise proximal da tíbia, afetando principalmente adolescentes e adultos jovens. Essa distribuição específica pode ser útil no diagnóstico diferencial com outras lesões ósseas.

O tratamento do fibroma Condromixóide é principalmente cirúrgico. Geralmente, é realizada a ressecção parcial parietal da lesão, acompanhada de adjuvantes locais, como fenol, eletrotermia ou nitrogênio líquido, e enxerto ósseo, quando indicado, além do preenchimento da cavidade com cimento ortopédico ou substitutos ósseos. Nos casos mais avançados, a ressecção segmentar pode ser necessária. A curetagem também pode ser empregada em regiões articulares, mas deve ser realizada de forma criteriosa para evitar recidivas.

Em resumo, o fibroma Condromixóide é uma lesão óssea incomum, mas que requer atenção devido à sua agressividade local e potencial para recorrências. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para garantir uma boa evolução clínica e prevenir complicações a longo prazo.

Condroma

Condroma

Condroma

O condroma é um tumor benigno que se desenvolve a partir de células da cartilagem, tendo como principais locais de ocorrência os ossos curtos das mãos e dos pés. Geralmente, pode apresentar-se como uma lesão solitária ou, em alguns casos, afetar múltiplos ossos, caracterizando o que é conhecido como encondromatose.

A encondromatose unilateral, por sua vez, é uma forma de discondroplasia que recebe o nome de doença de Ollier. Já a Síndrome de Maffucci é caracterizada pela presença de múltiplos encondromas associados a hemangiomas.

Embora o condroma tenha sua predileção nos ossos curtos, ocasionalmente pode ser encontrado em ossos longos, como o fêmur distal, o úmero proximal e a tíbia. Nessas localizações, é importante fazer o diagnóstico diferencial com outras condições, como o infarto ósseo, que geralmente é assintomático e pode ser identificado por achados radiográficos, e o condrossarcoma central grau I, que é sintomático evolui lentamente com o tempo e causa erosão na cortical interna do osso, cada vez maior. 

Diferenciar histologicamente entre condroma e condrossarcoma grau I pode ser desafiador, sendo preferível uma abordagem de observação clínica e radiográfica para determinar a conduta adequada, visto que o condrossarcoma grau I é de lenta evolução, o que permite a observação em curtos espaços de tempo, três a seis meses, realizando exames de imagem. Caso ocorra alteração, com piora das imagens, a lesão deve ser considerada como condrossarcoma grau I e tratada como tal. O diagnóstico histológico nesta neoplasia é controverso. 

Radiograficamente, o condroma é caracterizado por uma lesão de rarefação, ocasionalmente com focos de calcificação, podendo resultar em deformidades ósseas.

O tratamento do condroma assintomático, descoberto por acaso, pode ser apenas a observação, pois geralmente não evolui e comporta-se como uma cicatriz, sendo apenas um achado de exame. A curetagem de um “condroma”, que na realidade tratava-se de um condrossarcoma grau I, pode levar a disseminação do tumor dificultando a cirurgia correta de ressecção com margem oncológica.

Quando o condroma afeta a superfície externa dos ossos, é denominado condroma justa-cortical e geralmente requer tratamento cirúrgico por meio de ressecção parcial parietal.

O condroma é um tumor benigno de cartilagem, geralmente inofensivo, mas que requer acompanhamento e, em alguns poucos casos, caso haja evolução, com aumento da lesão, há a necessidade de intervenção cirúrgica, com ressecção do tumor com margem oncológica, para garantir o melhor resultado para o paciente, evitando recidivas.

O acompanhamento clínico, do paciente sem sintomas, deve ser feito com imagens aos 3 meses, 6 meses e posteriormente a cada ano para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado e a tempo de um eventual condrossarcoma grau I, permitindo que esta lesão seja tratada da forma correta e em bom tempo. 

Via de acesso medial ao quadril

Via de acesso medial

Via de acesso medial ao quadril para ressecção das lesões tumorais

Via de acesso medial ao quadril. As vias de acesso para abordagem medial do quadril descritas na literatura têm-se mostrado insuficientes para o tratamento dos tumores que afetam, simultaneamente, as regiões anterior, medial e posterior. Os autores descrevem uma via de abordagem medial, por uma inguinotomia, que facilita a ressecção dos tumores dessa área. A desinserção da musculatura adutora constitui etapa importante desta técnica que possibilita exposição ampla e melhor manipulação dos tecidos. Não houve complicações pós-operatórias decorrentes do emprego dessa via nos nove casos em que foi empregada. As vantagens incluem: facilidade, rapidez, pequeno sangramento intra-operatório, segurança quanto às estruturas neurovasculares e a ampla exposição que proporciona.

INTRODUÇÃO
 

A abordagem medial à articulação coxofemoral é utilizada com freqüência para o tratamento da luxação congênita do quadril e das afecções neuromusculares. Fora desse âmbito, seu uso é limitado e as técnicas encontradas na literatura mundial são poucas quando comparadas às outras vias de acesso ao quadril, empregadas para as abordagens anterior, lateral e posterior.

A partir de um caso de condromatose sinovial, que atingia as regiões anterior, medial e posterior do quadril (fig. 4, AL), o autor sênior passou a utilizar abordagem cirúrgica por inguinotomia medial, com desinserção da musculatura adutora, diferente das vias mediais descritas na literatura, pois estas não permitem, isoladamente, a exposição adequada da região.

O objetivo deste trabalho é descrever uma via de acesso medial ao quadril, por uma inguinotomia, com desinserção da musculatura adutora, que proporciona, simultaneamente, acesso amplo às regiões anterior, medial e posterior e facilita a ressecção dos tumores nesta localização.

MÉTODO

O paciente é colocado em decúbito dorsal horizontal. Ini-cia-se por assepsia de toda a região, incluindo o abdome, o dorso e o períneo, além de todo o membro inferior, que é preparado para permitir livre movimentação durante o ato operatório, de forma a facilitar o acesso às regiões anterior e posterior através dos movimentos de rotação externa e inter-na (fig. 4D). Posiciona-se o membro inferior do lado afetado em flexão, abdução e discreta rotação externa, posição semiginecológica (fig. 1). A incisão na pele inicia-se medialmente à palpação do pulso da artéria femoral, vai em direção ao tubérculo púbico, ponto de inserção do ligamento inguinal no púbis e centro da incisão, e prolonga-se posteriormente em direção à tuberosidade isquiática (fig. 2). A seguir, pro-cede-se à dissecção através do tecido celular subcutâneo, cauterizando os pequenos vasos (fig. 3, A e B). A incisão da fáscia tem o mesmo sentido que a da pele. Continua-se com a desinserção do músculo pectíneo do ramo iliopúbico, dos músculos adutor longo, adutor curto e grácil do púbis e parte do músculo adutor magno do ramo isquiopúbico (fig. 3, C e D). O nervo obturatório, que passa entre o músculo pectíneo e o adutor longo, fica protegido quando essa musculatura é rebatida (fig. 3D). O músculo psoas ilíaco é descolado da cápsula articular e isolado até a confluência dos vasos circunflexos, permitindo a maior exposição possível (fig. 3, E e F). A essa altura, um afastador do tipo Langembeck ou Hom-man é posicionado sob o psoas ilíaco de forma a afastar e proteger o nervo e os vasos femorais. Realiza-se uma incisão na porção medial da cápsula articular (fig. 3G) e pode-se dar continuidade com a ressecção tumoral ou com o procedimento em questão (fig. 3H). A cápsula é fechada com fio absorvível. Coloca-se dreno aspirativo e reinsere-se a musculatura adutora, ancorando-a no periósteo. O tecido celular subcutâneo e a pele são fechados com pontos simples (fig. 4G). Não é necessária a realização de nenhum tipo de imobilização pós-operatória.


DISCUSSÃO

As técnicas de Ludloff(9), Zazepen & Gamidov(13) e Fer-gusson(3) têm sido tradicionalmente empregadas para a abordagem cirúrgica medial do quadril. Estas vias de acesso, en-

tretanto, nem sempre atendem às necessidades de exposição ampla para ressecção com margem adequada de tumores nessa localização (figs. 2, A e B; 3, A e C), pois os músculos adutores, quando afastados, não possibilitam um campo visual satisfatório, principalmente no adulto.

A via de Smith-Petersen(12) permite acesso à região ânte-ro-medial do quadril quando a articulação é colocada em flexão e rotação externa máxima, mas não expõe a região pós-tero-medial. Nas vias posteriores(2,4,7), a parede posterior do acetábulo pode dificultar a exposição adequada da cabeça femoral. Em casos extremos, a alternativa que resta ao cirurgião é a luxação do quadril, procedimento perigoso quanto à preservação da circulação da cabeça femoral. Em crianças, há ainda a preocupação com a fise de crescimento. Esses fatores levaram-nos a buscar uma técnica que permitisse, com maior facilidade, a exposição da região, visando manipulação menos traumática para os tecidos. A via lateral com osteotomia do trocanter maior(6), embora permita acesso anterior e posterior, não expõe a região medial.

A abordagem medial ao quadril que estamos descrevendo pode parecer arriscada em uma primeira impressão. Isto talvez devido a pensamento fundamentado em dois aspectos: primeiro, a proximidade dos vasos femorais e segundo, o emprego pouco freqüente, pelos ortopedistas, dos acessos mediais de modo geral. A experiência adquirida com as ressecções dos tumores do anel obturatório pela técnica de Radley et al.(11) e com a realização de hemipelvectomias(8) possibilitou a visibilização desse acesso e permitiu a extrapolação das técnicas empregadas nesses casos para o tratamento dos tumores da região medial do quadril.

As vantagens da inguinotomia são várias. A via não necessita de grandes descolamentos nem de osteotomias, fatores que aumentam a morbidade pós-operatória. A preocupação intra-operatória com os grandes vasos femorais torna-se minimizada, pois eles, quando afastados, estão protegidos e, com a flexão do quadril, anteriorizam-se, distanciando-se da região. O sangramento intra-operatório é pequeno. O senti-do da incisão corre paralelamente às linhas de Langerhans, propiciando, portanto, boa cicatriz. A tensão da pele no pósoperatório é mínima na posição de repouso do paciente, em que os membros estão normalmente em adução. O local da incisão é facilmente coberto pelas roupas (inclusive as de banho) e pelos pêlos pubianos. O aspecto cosmético é o melhor possível (figs. 5 e 6).

Foram tratados nove pacientes (tabela 1) portadores de tumor no quadril, operados através da via descrita. Todos os pacientes apresentavam algum grau de limitação articular, havendo melhora em todos os casos após a cirurgia. Não fo-ram encontradas complicações decorrentes da utilização dessa via de acesso. A desinserção da musculatura adutora não determinou nenhum déficit de força de adução ou limitação da abdução (fig. 4, H-L). Não houve alterações da sensibilidade no pós-operatório. A musculatura adutora é reinserida no periósteo de forma semelhante à reinserção da musculatura abdominal na crista ilíaca realizada nos procedimentos para retirada de enxerto.

A desinserção da musculatura adutora é um ponto fundamental para permitir exposição ampla, haja vista que, à medida que ela é rebatida distalmente, permite a colocação dos afastadores de forma estável, facilitando a atuação dos auxiliares. Essas condições são importantes no que se refere a critérios oncológicos para ressecção tumoral, tendo em vista que a manipulação excessiva dos afastadores tem o potencial de espalhar células neoplásicas, aumentando o risco de recidiva.

Os critérios oncológicos para a margem de ressecção das lesões tumorais muitas vezes impõem ao cirurgião o sacrifício de estruturas neurovasculares. No que se refere à abordagem que estamos descrevendo, a ligadura dos vasos circunflexos é ocasionalmente necessária. Este procedimento, quando realizado em situações em que já há comprometimento da irrigação endostal, como nos casos de epifisiolise e fraturas de colo do fêmur, aumenta o risco de necrose da cabeça femoral. Entretanto, no caso de ressecções tumorais, quando é possível preservar os vasos endostais, o risco é menor.

A finalidade deste trabalho é apresentar uma via de acesso à articulação coxofemoral, ressaltando que ela é fácil, rápida e segura. Sua utilização não está restrita ao tratamento de tumores da região medial do quadril. Seu emprego pode es-tender-se a outras indicações, como a cirurgia da luxação congênita do quadril, ressecção-biópsias, sinovectomias e retirada de corpos estranhos (como projéteis de arma de fogo). A nosso ver, esta é a melhor via para expor simultaneamente as regiões anterior, medial e posterior do quadril.

REFERÊNCIAS

 

1. Capener, N.: The approach to the hip joint (editorial). J Bone Joint Surg [Br] 32: 147, 1950.

2. Crenshaw, A.H.: Campbell’s Operative Orthopaedics, 8th ed., Vol. 1,

3. J.B. Mosby Year Book, 1992.

4. Ferguson Jr., A.B.: Primary open reduction of congenital dislocation of the hip using a median adductor approach. J Bone Joint Surg [Am] 55: 671, 1973.

5. Gibson, A.: Posterior exposure of the hip joint. J Bone Joint Surg [Br] 32: 183, 1950.Hardinge, K.: The direct lateral approach to the hip joint. J Bone Joint Surg [Br] 64: 17, 1982.

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Autor : Prof. Dr. Pedro Péricles Ribeiro Baptista

 Oncocirurgia Ortopédica do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho

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